Próximo passo da disputa entre EUA e China está nas mãos de Trump

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A China decidiu deixar sua moeda desvalorizar, algo que Trump sempre acusou o país de fazer. Agora ele tem um argumento para fazer o mesmo com o dólar. Segunda (5), a China deu sua resposta aos EUA, assim, dando um passo na guerra comercial. Desvalorizando a sua moeda, o que elevou um risco apontado há meses por alguns analistas, de uma guerra cambial. 

Além disso, Trump elevou o tom no mês passado acusando os chineses de manipulação do câmbio. O governo americano decidiu classificar a China como manipulador de câmbio pela primeira vez, em 2 anos. Após Pequim permitir a desvalorização da sua moeda para 7 yuans por dólar. 

Entretanto, Trump já havia tentado mais de uma vez oficializar os asiáticos como manipuladores, mas não tinha conseguido. No entanto, nos últimos meses, o presidente americano também voltou suas críticas para o Banco Central Europeu (BCE). Assim, fazendo as mesmas acusações. E também pedindo para o Federal Reserve (banco central dos EUA) agir a ponto de desvalorizar o dólar. 

Contudo, a estratégia feita pela China, de derrubar a cotação do yuan, se dá no contexto apenas de guerra comercial. Deste modo, a ideia é tornar o seu produto mais barato, ganhando na competitividade contra outras nações no comércio global.

Porém, dando este passo, Pequim deixou na mão de Trump elevar esta disputa para uma guerra cambial oficial.  Segundo o relatório dos analistas do Bank of America Merrill Lynch, os EUA poderiam ver a atitude da China como uma abertura para intervir no câmbio, em um esforço para enfraquecer o dólar. 

“Este seria especialmente o caso se houvesse uma maior volatilidade no mercado de câmbio, uma vez que a alegação poderia ser feita de que a intervenção é para fins de estabilidade”. 

Yuan

Além disso, a desvalorização do Yuan, nesta semana, tem grande impacto sobre moedas emergentes e acabam pesando ainda para o Banco do Japão e o Banco Central Europeu, por exemplo, que em meio a um cenário de economias enfraquecidas, não querem que suas moedas (iene e euro) fiquem mais fortes. 

O ex-chefe da divisão do FMI na China, Eswar Prasad e também  autor de “Gaining Currency: The Rise of the Renminbi”, fez uma declaração para a Bloomberg. ” A guerra comercial EUA-China prepara o comércio para uma guerra cambial que pode acabar envolvendo muitos dos principais bancos centrais ao redor do mundo. 

Porém, uma guerra cambial ainda não está tão próxima. Além disso, Trump tem outras “armas” que pode usar na disputa contra os chineses. Aliás, seu argumento perdeu um pouco de força no momento. 

Então, se por uma lado ele pode manipular o câmbio falando que Pequim está fazendo o mesmo, por outro lado não faz sentido reclamar da China e fazer a mesma coisa. Afinal, está nas mãos de Trump evoluir a guerra comercial para cambial, e o mercado não tem nenhuma certeza de que ele não fará isso. 

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